25 de junho de 2007
Cadernos
A coisa que eu mais amo em escrever é a liberdade que o ato me confere: sinto-me verdadeiramente livre em escrever aqui, longe de amarras e aparências que me prendem a uma realidade que nem sempre corresponde ao que verdadeiramente sinto. Tem vezes que, quando me apaixono, me apaixono pelo que é completamente errado, vai contra o sentido das coisas. Jamais poderia assumir meus amores proibídos ao público. E é aqui que eu o faço, escondido sob uma manta fina de poesia e sonhos que só assumo a dois.
9 de junho de 2007
Dualidade
Daquele outro lado, no gêmeo, eu tento manter as pontas firmes, a discrição e a impessoalidade. Mas é difícil. Quantas vezes não adiei textos por causa de estado de espírito e poética. Engolido por um círculo de estados, não me sinto bem para começar um relacionamento novo e no entanto acredito que só isso vai me trazer um pouco de verdade para a minha vida.
Já passei por barras piores, mas a simples apatia com relação ao meu estado (talvez indiferença) não me faz desgrudar os pés do chão. Fico preso e o mundo gira ao meu redor. Quero paz e fuga, mas não encontro nenhum deles parado onde estou. Em alguns momentos sinto que vou explodir e talvez essa seja minha única solução.
Já passei por barras piores, mas a simples apatia com relação ao meu estado (talvez indiferença) não me faz desgrudar os pés do chão. Fico preso e o mundo gira ao meu redor. Quero paz e fuga, mas não encontro nenhum deles parado onde estou. Em alguns momentos sinto que vou explodir e talvez essa seja minha única solução.
2 de maio de 2007
Espera
Nesta casa no meio do nada,
Mais templo menos casa,
Há um alguém sempre a espera,
A espera de visita:
Visita sempre adiada,
Visita muito aguardada,
Visita bem recebida!
Mas o tempo faz a espera
Tornar-se mancha e tormento
Que acorrenta o coração.
E o solitário habitante
Na sua espera incessante
Faz dela sua obsessão.
É no marasmo do tempo
Que é só mato e vento
E folhas e copas de árvore,
Que o sono chega e se aproxima,
Encanta com sonhos
Torna menos dolorosa a espera
Do solitário habitante.
À janela e com os olhos fechados,
Não se apercebeu o encantado
Que sua visita viera se mostrar.
Uma vez a campainha,
Duas vezes a campainha,
Três vezes a campainha.
Entristecida, a visita
Saiu em busca de um outro lar
A que pudesse visitar.
Acorda então o sonhador
Que sonhou em seu sonho
Que sua visita passou.
Foi olhar a sua porta
E seu pranto chorou
Ao ver na campainha
De menina a marca de um dedo,
Um par de pegadas
E gotas de lágrima no chão.
Entrou em casa,
Tornou à cadeira,
Secou as lágrimas e declarou:
O amor passou de novo
E meu sonho a levou.
Mais templo menos casa,
Há um alguém sempre a espera,
A espera de visita:
Visita sempre adiada,
Visita muito aguardada,
Visita bem recebida!
Mas o tempo faz a espera
Tornar-se mancha e tormento
Que acorrenta o coração.
E o solitário habitante
Na sua espera incessante
Faz dela sua obsessão.
É no marasmo do tempo
Que é só mato e vento
E folhas e copas de árvore,
Que o sono chega e se aproxima,
Encanta com sonhos
Torna menos dolorosa a espera
Do solitário habitante.
À janela e com os olhos fechados,
Não se apercebeu o encantado
Que sua visita viera se mostrar.
Uma vez a campainha,
Duas vezes a campainha,
Três vezes a campainha.
Entristecida, a visita
Saiu em busca de um outro lar
A que pudesse visitar.
Acorda então o sonhador
Que sonhou em seu sonho
Que sua visita passou.
Foi olhar a sua porta
E seu pranto chorou
Ao ver na campainha
De menina a marca de um dedo,
Um par de pegadas
E gotas de lágrima no chão.
Entrou em casa,
Tornou à cadeira,
Secou as lágrimas e declarou:
O amor passou de novo
E meu sonho a levou.
28 de abril de 2007
Clichê
Se eu pudesse juntar toda a minha inveja de modo a condensá-la em moeda de troca para algo que minha inveja jamais seria capaz de alcançar com seus magros dedos, com certeza seria a composição dessa música:
Chega de saudade
Vinicius de Moraes / Antonio Carlos Jobim
Vai, minha tristeza
E diz a ela que sem ela não pode ser
Diz-lhe numa prece
Que ela regresse
Porque eu não posso mais sofrer
Chega de saudade
A realidade é que sem ela
Não há paz, não há beleza
É só tristeza e a melancolia
Que não sai de mim
Não sai de mim
Não sai
Mas se ela voltar
Se ela voltar
Que coisa linda
Que coisa louca
Pois há menos peixinhos a nadar no mar
Do que os beijinhos que eu darei na sua boca
Dentro dos meus braços os abraços
Hão de ser milhões de abraços
Apertado assim, colado assim, calado assim,
Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim
Que é pra acabar com esse negócio
De você viver sem mim
Não quero mais esse negócio
De você longe de mim...
Vamos deixar desse negócio
De você viver sem mim...
Chega de saudade
Vinicius de Moraes / Antonio Carlos Jobim
Vai, minha tristeza
E diz a ela que sem ela não pode ser
Diz-lhe numa prece
Que ela regresse
Porque eu não posso mais sofrer
Chega de saudade
A realidade é que sem ela
Não há paz, não há beleza
É só tristeza e a melancolia
Que não sai de mim
Não sai de mim
Não sai
Mas se ela voltar
Se ela voltar
Que coisa linda
Que coisa louca
Pois há menos peixinhos a nadar no mar
Do que os beijinhos que eu darei na sua boca
Dentro dos meus braços os abraços
Hão de ser milhões de abraços
Apertado assim, colado assim, calado assim,
Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim
Que é pra acabar com esse negócio
De você viver sem mim
Não quero mais esse negócio
De você longe de mim...
Vamos deixar desse negócio
De você viver sem mim...
23 de abril de 2007
Músicas e mentiras
Post-its, lembretes, recados, pequenas mensagens, notas de agenda. Tudo aponta para uma data em especial, quando tudo acontecerá e será surpreendentemente novo. Músicas dão o ritmo na releitura dos papéis que levam a lembranças nunca sonhadas e fazem balançar a cabeça entre a confusão de tinta e papel e as mentiras marcadas na data ao acaso escolhida: reflexo das mentiras embaixo da camisa, do peito, das costelas.
12 de abril de 2007
Abril em rosas
Toda a falta de expectativa de um futuro em flor desabrocha em esperanças no enigmático abril. Resquícios de verão me revisitam. Fica esse botão de flor adiado por tanto tempo que promete desabrochar nesse mês, à espera de uma lágrima que abra suas pétalas em forma de um novo amor.
Islas de solitud
Faz tempo que não escrevo sobre amor? Faz quanto tempo? E há quanto tempo não se sente amor, paixão, verdadeira paixão? A verdade é que quanto mais se vive mais estranho esse mundo de pessoas tão diferentes, tão recentidas. Nossas histórias nos apontam para um lugar em que nós mesmos somos o refúgio que sempre sonhamos. Nós nos entendemos melhor do que qualquer um, afinal sentimos nossas próprias necessidades, solidões e paixões súbitas, quase desejo de grávida. No entanto, não nos preeenchemos.
Amar, verbo transitivo indireto. Cada dia que passo ouço-o mais intransitivo. Para um objeto qualquer, gostar é suficiente. "Gosto dele" "Gosto dela". Amar não, muita responsabilidade e falta de conhecimento. Confiança é artigo de luxo, são pontes entre as ilhas de solidão que criamos em torno de nós mesmos. A dor é muito mais conhecida, doença sexualmente transmissível, epidêmica.
É preciso reconstituir o tratado do amor que une os homens e as mulheres, colocá-lo novamente em pauta na próxima reunião das Nações Unidas, junto com o terrorismo e o aquecimento global. É preciso lembrar aos seres humanos a sua condição fundamental e sua nudez que os generaliza e os amedronta. É preciso quebrar os modelos de ilha; retornar a Pangéia fundamental.
Amar, verbo transitivo indireto. Cada dia que passo ouço-o mais intransitivo. Para um objeto qualquer, gostar é suficiente. "Gosto dele" "Gosto dela". Amar não, muita responsabilidade e falta de conhecimento. Confiança é artigo de luxo, são pontes entre as ilhas de solidão que criamos em torno de nós mesmos. A dor é muito mais conhecida, doença sexualmente transmissível, epidêmica.
É preciso reconstituir o tratado do amor que une os homens e as mulheres, colocá-lo novamente em pauta na próxima reunião das Nações Unidas, junto com o terrorismo e o aquecimento global. É preciso lembrar aos seres humanos a sua condição fundamental e sua nudez que os generaliza e os amedronta. É preciso quebrar os modelos de ilha; retornar a Pangéia fundamental.
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